Por que tanta gente diz não gostar de matemática?

Você já parou para pensar por que tantas crianças afirmam não gostar de matemática?

É muito comum ouvir pessoas afirmando que não gostam e não entendem matemática. Na escola, ela é o terror de muitas crianças e adolescentes, fato que se reflete nos resultados brasileiros nas provas mais recentes do Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes.

São nas avaliações de matemáticas que encontramos as piores notas. Na última edição do exame, cerca de 68,1% dos estudantes brasileiros com 15 anos de idade não possuíam o nível básico de matemática para exercício pleno da cidadania. Esse baixo desempenho é explicado não apenas pelos acertos nas questões, mas também pela alta porcentagem de desistência: 61% dos alunos brasileiros sequer conseguem chegar às últimas questões da prova ou desistem antes do final do exame.

Mas por que isso acontece? Por que tanta gente vê a matemática como inimiga?

Matemática é difícil e para poucos?

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Aqui vamos sugerir algumas possíveis respostas a estas perguntas, vamos lá?

Um problema de apresentação

O conhecimento matemático é anterior à escrita e estima-se que o homem pré-histórico já sabia contar quantidades abstratas como o tempo, além de ter conquistado noções de aritmética elementar (adição, subtração, multiplicação e divisão). Todas as primeiras civilizações tiveram seu desenvolvimento permeado pela matemática, o que tornou possível o desenvolvimento do comércio, o manejo das plantações e a astronomia.

A matemática faz parte de todos nós e da história da construção da cultura de nossa civilização. É inegável sua importância para nossa capacidade de generalizar, projetar, prever e abstrair, é ela que estrutura nosso pensamento e nosso raciocínio lógico. Se a matemática é uma parte tão fundamental de como pensamos, por que ela é tão temida e odiada?

Após constatar em pesquisa com 199 estudantes alemães do ensino fundamental que mais de um terço deles tem uma relação negativa com a matemática, o professor da Universidade de Frankfurt, David Kollosche, tentou entender de onde vem essa rejeição. Após entrevistar e aplicar questionários, ele chegou à conclusão de que, na grande maioria das vezes, esse desinteresse é causado pela forma como o conteúdo é ensinado. A maioria dos estudantes se distanciam da matemática sem sequer terem tido a chance de conhecê-la com mais profundidade.

John Mighton concorda com o ponto de vista de Kollosche e, em entrevista ao El País, afirma que não é difícil desenvolver o interesse das crianças pela matemática: “Todos gostam de resolver problemas e realizar conexões. O problema com a matemática não são as crianças, mas a metodologia com a qual é ensinada”.

Tradicionalmente, os cursos de matemática são estruturados a partir da exposição de regras e de treinamento repetitivo por meio de exercícios, sem mostrar a utilidade prática do que está “ensinando” e sem explorar os conhecimentos prévios dos alunos. Na maior parte do tempo, os estudantes têm um primeiro contato com o tema de forma teórica e depois são convidados a resolverem exercícios, seguindo a estrutura apresentada pelo professor. Este modelo, de forma geral, traz rigidez e falta de significado, tornando-se fragmentado e descontextualizado. São priorizadas a mecanização e a memorização, em detrimento da reflexão crítica, da criatividade e da capacidade de analisar situações concretas. 

Como o ensino da Matemática tem sido desinteressante há pelo menos algumas décadas, isso se reflete também no distanciamento que vários professores do Ensino Fundamental I apresentam, o que dificulta ainda mais a promoção de uma aprendizagem envolvente e significativa.

Então, se o problema está nas metodologias de ensino utilizadas na escola, como pensar em formas de mudar esse quadro e tornar a matemática mais atrativa para os estudantes? 

É preciso repensar as relações de ensino e aprendizagem

Para mudar os resultados brasileiros nas avaliações de matemática é necessário mudar a relação dos estudantes com a matéria, repensando primeiro o jeito como ela é ensinada

O primeiro ponto é que não é possível pensar em ensino sem pensar em aprendizagem.  Quando as questões estão centradas no ensino fala-se da técnica do professor, quando na verdade precisamos olhar para os aprendizes. Ao olharmos para como as crianças aprendem, pensamos em formas de ensinar, por isso, temos um diálogo constante entre ensino e aprendizagem.

Para despertar o interesse pela matemática, é necessário pensar em um ensino que considere o aluno como sujeito ativo do processo. A aprendizagem deve ser associada ao prazer da descoberta por meio de um ambiente favorável à criação, à reflexão, à simulação do real e ao protagonismo. O conhecimento matemático deve ser construído ativamente, por meio de elaboração de estratégias e da ação participativa. 

A Base Nacional Curricular Comum (BNCC) coloca a criatividade, o trabalho coletivo e a autonomia no centro do aprendizado da matemática. Orienta-se que sejam exploradas metodologias que priorizam a criação de um espírito crítico para a elaboração de estratégias, justificativas e argumentação matemática através do uso de situações da vida cotidiana. O ensino da matemática deve estar associado à criatividade, à iniciativa pessoal e ao trabalho coletivo. 

O Ensino Fundamental deve ter compromisso com o desenvolvimento do letramento matemático definido como as competências e habilidades de raciocinar, representar, comunicar e argumentar matematicamente, de modo a favorecer o estabelecimento de conjecturas, a formulação e a resolução de problemas em uma variedade de contextos, utilizando conceitos, procedimentos, fatos e ferramentas matemáticas. É também o letramento matemático que assegura aos alunos reconhecer que os conhecimentos matemáticos são fundamentais para a compreensão e a atuação no mundo e perceber o caráter de jogo intelectual da matemática, como aspecto que favorece o desenvolvimento do raciocínio lógico e crítico, estimula a investigação e pode ser prazeroso (fruição).

Fonte BNCC – colocar como caixa de texto

Um outro ponto que distancia as crianças do prazer dos números é a homogeneização do ensino. Em uma mesma sala de aula podem existir diferenças de até três séries entre as crianças e as diferenças nos ritmos de aprendizado podem ter graves consequências na autoestima e na motivação dos alunos. É preciso, portanto, entender e aceitar as individualidades dos estudantes, respeitando o ritmo de aprendizado de cada criança. 

É preciso também respeitar as etapas necessárias à aprendizagem. Como a matemática é uma área do conhecimento enredada, ou seja, cada novo tema é dependente do anterior, é extremamente importante que o aluno construa uma base de aprendizado sólida e entenda passo a passo cada um dos conceitos. 

Brincadeiras e jogos são excelentes recursos

A atitude e as posturas características das situações de jogos muito se assemelham àquelas necessárias para a aquisição do conhecimento escolar: participação, envolvimento, concentração, proatividade para resolução de problemas, busca por soluções alternativas e atenção em relação às normas e regras. Por isso, muito tem se falado sobre a utilização dos princípios dos jogos como recurso didático, a cada vez mais popular gamificação. A gamificação utiliza mecânicas próprias dos jogos e visa propiciar maior engajamento dos alunos e promover a autoavaliação.

Em relação ao ensino e aprendizagem da matemática, uma das principais competências a serem desenvolvidas é a capacidade de resolver problemas. Os jogos são um meio interessante e produtivo de pensar a proposição de problemas, pois permitem uma apresentação atrativa e tendem a favorecer a criatividade para chegar a uma solução, promovendo um aprendizado significativo e envolvente. 

Aprendizagem ativa e digital: conheça a Educacross

O programa Educacross oferece experiências diferenciadas e complementares para  o ensino e aprendizagem da matemática por meio de jogos digitais, gamificação, personalização e evidências. A Educacross desenvolve nas crianças o protagonismo, o engajamento e a metacognição. 

A plataforma Educacross, pensada para alunos da Educação Infantil e Ensino Fundamental I, desperta o interesse dos estudantes pela matemática, através de jogos que motivam os alunos

Os resultados mostram que, em uma aula de 45 minutos, os alunos resolvem uma média de 70 desafios. Quando comparamos à quantidade de desafios presentes nos livros didáticos, isso corresponde a mais de um mês de atividades em sala de aula e tarefas no livro. Em pesquisas realizadas pela Educacross junto à FAPESP com mais de 300 alunos, as evidências coletadas demonstraram que os alunos desenvolvem pelo menos dez vezes mais desafios na Plataforma do que atividades no papel e que o desempenho das crianças é pelo menos duas vezes melhor na Plataforma do que no papel.

A Plataforma atende integralmente ao currículo da Matemática do Ensino Fundamental I, desenvolvendo as competências e habilidades elencadas na BNCC.

Otimiza o trabalho do professor que acessa trilhas de jogos prontas e mapeadas, além de oferecer relatórios de desempenho dos alunos em tempo real e contínuo.

Os gestores também acessam relatórios que evidenciam o ensino e aprendizagem da sua Escola.

Lançado em 2021, a Educacross também desenvolve a Alfabetização para crianças do 1º e 2º anos.

Quer saber mais sobre Educacross acesse: www.educacross.com.br.


Fontes:

WOLF, Alexandre. Por que é preciso repensar as técnicas de ensino da matemática? Em: Jornal da USP, Edição especial A matemática está em tudo. Disponível em: http://jornal.usp.br/universidade/por-que-e-preciso-repensar-as-tecnicas-de-ensino-da-matematica/, acesso em 15/10/2020

MOUZO, Jéssica. O problema com a matemática não são as crianças, mas como ela é ensinada. Em: El Pais, 09 de março de 2017. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/02/ciencia/1488489539_151680.html, acesso em 13/10/2020.

BAUMGARTEL, Priscila. O uso de jogos como metodologia de ensino da Matemática.  Disponível em: http://www.ebrapem2016.ufpr.br/wp-content/uploads/2016/04/gd2_priscila_baumgartel.pdf, acesso em 13/10/2020.

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