A neurociência do fun learning: o que acontece com o nosso cérebro quando juntamos diversão e aprendizagem?

A neurociência voltada à educação demonstra teses já consolidadas na área das ciências cognitivas e prova a importância da diversão na aprendizagem

A diversão e o prazer são partes fundamentais do processo de aprendizagem. São esses dois elementos que transformam a aprendizagem em uma atividade natural e espontânea, um processo intrinsecamente motivado e potencialmente transformador, que alimenta a curiosidade e a criatividade.

A relação entre a diversão e a aprendizagem já vem sendo estudada desde os primeiros tratados da pedagogia. Ela aparece, por exemplo, nos estudos sobre a importância do brincar e do lúdico em Jean Piaget e Lev Vygotsky, na defesa da importância da aprendizagem significativa e do conhecimento prévio de David Ausubel.

A experiência do cotidiano escolar nos mostra que, quando eliminamos a alegria da sala de aula, afastamos nossos alunos de uma aprendizagem eficaz e prazerosa. O resultado são alunos pouco engajados, entediados e ansiosos. 

No artigo de hoje, vamos entender como a neurociência nos ajuda a entender a importância do fun learning, um conceito que veio para transformar a educação, provando que a aprendizagem pode ser uma experiência estimulante e significativa.

Avanços na neurociência comprovam teses consagradas da pedagogia

A neurociência voltada à aprendizagem tem demonstrado que teses já consolidadas na área das ciências cognitivas também se comprovam por meio de imagens do cérebro durante as experiências. A partir do avanço da tecnologia e do surgimento de novas metodologias, diferentes estudos foram possíveis e conseguimos entender hoje, com maior precisão, como o cérebro funciona. O entendimento dos processos neurológicos veio para comprovar e dar novas perspectivas a teses defendidas por teóricos como Jean Piaget (1896-1980), Lev Vygotsky (1896-1934) e David Ausubel (1918-2008).

Os benefícios de uma aprendizagem prazerosa foram provados a partir de estudos de neuroimagem e da medição de neurotransmissores químicos, mostrando que os níveis de bem-estar, conforto e segurança dos alunos têm grande influência sobre a transmissão e o armazenamento de informações no cérebro. 

Em levantamentos bibliográficos sobre a neurociência da aprendizagem, a neurologista e professora americana Judy Willis defende que não há aprendizagem quando tiramos a diversão da sala de aula. Em seu artigo A neurociência do prazer na educação, a pesquisadora defende que, quanto menor o estresse a que estão submetidos, mais engajados e motivados os alunos se sentem. 

Isso quer dizer que, em ambientes de fun learning, a informação flui mais livremente pelo cérebro e níveis mais elevados de cognição são atingidos, facilitando conexões inéditas e momentos de epifania. Para Willis, os ambientes de aprendizagem precisam ter uma atmosfera de descoberta exuberante, em oposição a uma sala de aula silenciosa e rígida. 

O estresse pode nos impedir de aprender

Willis destaca ainda que estudos de psicologia cognitiva fornecem evidências clínicas de que estresse, tédio, confusão, baixa motivação e ansiedade podem, individualmente ou combinadas, interferir negativamente na aprendizagem. 

A neurociência mostra que o estresse pode frear a aprendizagem
Tédio, confusão, baixa motivação e ansiedade podem interferir negativamente na aprendizagem

Pesquisadores conseguiram mostrar o que acontece no nosso cérebro em situações de estresse a partir de exames de imagens e da medição dos níveis de alguns neurotransmissores. Os testes demonstraram que, em condições adversas, a informação é bloqueada, não conseguindo atingir as áreas do cérebro onde a memória se consolida. 

”Em outras palavras, quando o estresse ativa os filtros afetivos do cérebro, o fluxo de informação para as redes cognitivas superiores é limitado e o processo de aprendizagem começa a desacelerar”.

Judy Willis, professora e neurologista

Se o estresse tem um efeito negativo na aprendizagem, a diversão, por outro lado, libera neurotransmissores que promovem a absorção de novos conteúdos. Quando as atividades em sala de aula são divertidas, nosso cérebro libera dopamina, substância também conhecida como o neurotransmissor do prazer. Ela estimula a memória central, promovendo a liberação de acetilcolina, aumentando a atenção e a concentração.

A neurociência do conhecimento prévio e da aprendizagem significativa

A partir de exames de imagens neurais e eletroencefalografia, cientistas foram capazes de mapear o processo de aprendizagem de novas informações, mostrando quais áreas do cérebro são ativadas e quando isso ocorre. 

A aprendizagem começa com estímulos de cada um dos nossos sentidos (audição, tato, paladar, visão e olfato). Em seguida, essas novas informações sensoriais são enviadas ao córtex somatossensorial, onde estabelecem uma relação com memórias previamente armazenadas. Simultaneamente, o sistema límbico (lobo, hipocampo, amígdala e córtex pré-frontal) acrescenta um significado emocional às novas informações. Essas memórias relacionais aumentam o armazenamento de novas informações na memória de longo prazo.

Além disso, as pesquisas levantadas por Willis nos mostram que a aprendizagem acontece de maneira mais fluida quando é relevante para as crianças. Atividades que levam em consideração os interesses e o contexto de vida dos alunos têm uma maior chance de passar pelo sistema de ativação reticular, espécie de filtro cerebral responsável pelo foco e pela atenção dada a mudanças percebidas no ambiente.

Quem está familiarizado com a teoria do psiquiatra americano David Ausubel reconhecerá rapidamente a relação entre os processos neurais descritos por Judy Willis e a teoria da aprendizagem significativa e do conhecimento prévio. 

Segundo Ausubel, sempre que uma criança se depara com um conteúdo novo a partir de sua percepção sensorial, ela opera uma reconfiguração, ou reelaboração, de suas estruturas mentais já existentes, tornando-as mais complexas. 

Quer saber mais? Leia nosso artigo completo: David Ausubel e a aprendizagem significativa.

Leve o fun learning para a sua escola

Os estudos da neurociência nos mostram a importância da construção de um ambiente emocional positivo. Alunos com conforto emocional experienciam uma aprendizagem mais prazerosa e alcançam níveis mais elevados de cognição. 

Proporcionar uma aprendizagem divertida, ativa e significativa a partir de ambientes estimulantes e positivos é a proposta do fun learning, um conceito que a Educacross trouxe para transformar a educação brasileira.

Nascido de uma parceria público-privada finlandesa que tem como uma das mantenedoras a Universidade de Helsinki, o fun learning propõe um processo de ensino e aprendizagem no qual os alunos são protagonistas, sentem-se seguros para errar, são incentivados a pensar de maneira autônoma, veem sentido no que estão aprendendo e recebem desafios em um nível apropriado. A aprendizagem acontece, então, de maneira ativa, colaborativa, livre e por meio da exploração.

A Educacross une gamificação, metodologias disruptivas, inteligência artificial e neurociência para ampliar as experiências de aprendizagem a partir de jogos digitais educativos. A Educacross é uma plataforma de fun learning que entrega aprendizagem e evidências em Matemática e Alfabetização, com foco no aumento do engajamento de alunos e professores.

A Educacross leva o fun learning para a sua escola

Desenvolvida para o Ensino Fundamental I e Educação Infantil, a Educacross possui forte sinergia com diferentes materiais didáticos e conta com mais de 2 mil jogos que desenvolvem capacidades cognitivas como a inteligência lógico-matemática e discursiva. 

Os jogos Educacross são construídos a partir de dinâmicas de gamificação adaptativa, proporcionando experiências divertidas e únicas que respeitam o ritmo de cada criança. O resultado é uma aprendizagem mais envolvente, desafiadora e significativa.

O programa Educacross tem como base uma fundamentação teórica consistente, reunindo estudos de diferentes áreas do conhecimento e alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e demais avaliações externas.

A Educacross tem uma proposta completa, que contempla a implantação da metodologia com formação de professores e gestores, amplo suporte e apoio pedagógico mensal, oferecendo experiências diferenciadas a cada integrante do processo educacional e trazendo resultados impressionantes.

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Fontes:

FERNANDES, E. David Ausubel e a aprendizagem significativa. Nova Escola. Acesso em 14/6/2021.

SILVA, F. L., CARVALHO, G. P., RODRIGUES, C. A. P. Relação entre o lúdico e a aprendizagem

WILLIS, J. The Neuroscience of Joyful Education. Educational Leadership, Vol. 64, 2007. 

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