Qual é o valor da matemática para o país?

Você já parou para pensar no valor da matemática para o Brasil?

Em edição especial do Jornal da USP A matemática está em tudo, Marcelo Viana, professor e diretor-geral do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), refletiu sobre o valor da matemática para o Brasil. O professor elencou benefícios simbólicos e materiais que a matemática pode trazer a um país, provando que o investimento no ensino e aprendizagem da matéria é um investimento no desenvolvimento do país e produz riqueza. 

Primeiro, temos os benefícios que não podem ser quantificados. Junto com a fluência da língua materna, o conhecimento básico de matemática é uma condição fundamental para o exercício da cidadania. Entender números e interpretar gráficos e estatísticas influencia na participação na vida política, na obtenção de informações confiáveis e no desenvolvimento do pensamento crítico.

As primeiras civilizações tiveram seu desenvolvimento permeado pela matemática. Foi ela que tornou possível o desenvolvimento do comércio, o manejo das plantações, as construções e a criação das ciências da astronomia. A matemática faz parte de todos nós e da história da nossa civilização. O valor da matemática é especialmente grande para nossa capacidade de generalizar, projetar, prever, abstrair e correlacionar, estruturando nosso pensamento e nosso raciocínio lógico.

Porém, prossegue Viana, em tempos de escassez de recursos, é importante nos perguntarmos também qual a contribuição efetiva da área para a construção da riqueza de um país. É possível provar, com números concretos, os benefícios materiais que uma ciência pode trazer à sociedade? Como convencer a população que o valor da matemática pode ser concreto e tangivel?

Valor da matemática e riqueza produzida

Alguns países europeus provaram com números o valor da matemática e a riqueza que ela pode produzir. A agência nacional britânica de pesquisa encomendou ao seu Conselho de Pesquisa de Engenharia e Ciências da Física um estudo para mensurar o impacto econômico da matemática na economia do Reino Unido. 

A pesquisa foi surpreendente e apresentou números animadores até mesmo para os mais otimistas. O relatório apresentado ao final do estudo apontou que a matemática gera 2,8 milhões de empregos diretos, com pagamentos de 208 bilhões de libras por ano. Esses números correspondem a 10% do total de empregos do país e a cerca de 16% da economia. 

Uma constatação interessante é que se trata de profissionais mais qualificados, com salários e produtividade maiores que a média. Os trabalhadores da matemática estão empregados na produção de produtos de ponta, no desenvolvimento de processos de qualidade e pesquisa. São empregos que contribuem diretamente para o crescimento de um país e que possuem grande impacto nos setores bancário, financeiro, farmacêutico, de tecnologia, engenharia, construção, administração pública e defesa.

Qual o valor da matemática para o pais?
Os profissionais da matemática contribuem diretamente para o crescimento do país, atuando em áreas com maior qualificação e maiores salários

Depois da Inglaterra, outros países da Europa e a Austrália também encomendaram estudos parecidos. Apesar de apresentarem detalhes diferentes, os resultados foram semelhantes e a conclusão foi a mesma: o valor da matemática está atrelado à produção de riqueza. Na França, 44% dos avanços tecnológicos produzidos no país são amplamente impactados pelos estudos da matemática. 

O professor Viana busca evidências nesses estudos para buscar compreender o possível valor da matemática no Brasil. Viana realiza seu cálculo pegando o PIB brasileiro, de cerca de 6 trilhões anuais, e aplicando os 16% de impacto econômico encontrados nos países que realizaram as pesquisas. O número final é impressionante: a matemática pode trazer ao Brasil aproximadamente 1 trilhão por ano. No entanto, esse número ainda não chega a se concretizar.

Em nosso país, a matemática é o calcanhar de Aquiles da maioria dos estudantes. Oito em cada dez estudantes concluem o ensino fundamental sem possuir os conhecimentos esperados, segundo dados divulgados pelo IDEB em 2017. No Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, os piores resultados alcançados pelo Brasil foram nas provas de matemática. Na edição de 2018 do exame, cerca de 68,1% dos estudantes brasileiros com 15 anos de idade não possuíam o nível de matemática que a OCDE considera necessário para o exercício pleno da cidadania.  Esse baixo desempenho é explicado não apenas pelo baixo nível de acertos nas questões, mas também pela alta porcentagem de desistência: 61% dos alunos brasileiros sequer conseguem chegar às últimas questões da prova.

Os resultados das avaliações apontam que o Brasil não forma  jovens com capacitação matemática e científica para exercer as profissões de pesquisa e tecnologia tão necessárias para o futuro do país. A verdade é que estamos deixando de produzir boa parte desse R$ 1 trilhão, conclui  Marcelo.

Além disso, a falta de conhecimento básico em matemática da população traz prejuízos em praticamente todas as áreas.

Educação: um investimento a longo prazo

Não é incomum ouvir cientistas e educadores lembrando que o dinheiro gasto em pesquisa e educação não é um custo, mas um investimento. É o melhor investimento que há, com rentabilidade superior a qualquer outro. Os resultados dos estudos realizados pela Inglaterra, pela França e outros países provam essa afirmação. É urgente despertar o interesse dos nossos jovens pela matemática, garantindo que eles tenham a formação exigida pelo século 21.

Para isso, é preciso mudar a forma como ensinamos a matemática, pois a forma atual de ensinar não produz aprendizagem. Em encontro virtual com professores da área, Marcelo Viana argumenta: “Estamos ensinando a matemática do século 19 nas nossas escolas, e isso cria uma lacuna na formação que damos aos jovens para o exercício de profissões e para munir as crianças com ferramentas para entender o mundo à nossa volta, que é o objetivo da matemática”.

Como despertar o interesse de nossos alunos pela matemática

Para colher os benefícios sociais, econômicos e culturais e transformar o País por meio da Educação, é preciso promover nas nossas crianças interesse genuíno por aprender.

Que tal ler nosso texto anterior e descobrir como podemos mudar o ensino e a aprendizagem da matemática no Brasil para quebrar o estigma e conseguir desempenhos melhores? Leia o artigo completo aqui.

Aprendizagem ativa e digital: conheça a Educacross

O programa Educacross oferece experiências diferenciadas e complementares para  o ensino e aprendizagem da matemática por meio de jogos digitais, gamificação, personalização e evidências. A Educacross desenvolve nas crianças o protagonismo, o engajamento e a metacognição. 

Educacross: aprendizagem ativa e divertida

Os resultados mostram que, em uma aula de 45 minutos, os alunos resolvem uma média de 70 desafios. Quando comparamos à quantidade de desafios presentes nos livros didáticos, isso corresponde a mais de um mês de atividades em sala de aula e tarefas no livro. Em pesquisas realizadas pela Educacross junto à FAPESP com mais de 300 alunos, as evidências coletadas demonstraram que os alunos desenvolvem pelo menos dez vezes mais desafios na Plataforma do que atividades no papel e que o desempenho das crianças é pelo menos duas vezes melhor na Plataforma do que no papel.

A Plataforma atende integralmente ao currículo da Matemática do Ensino Fundamental I, desenvolvendo as competências e habilidades elencadas na BNCC.

Otimiza o trabalho do professor que acessa trilhas de jogos prontas e mapeadas, além de oferecer relatórios de desempenho dos alunos em tempo real e contínuo. Os gestores também acessam relatórios que evidenciam o ensino e aprendizagem da sua Escola.

Lançado em 2021, a Educacross também desenvolve a Alfabetização para crianças do 1º e 2º anos.

Quer saber mais sobre Educacross? Confira nosso site: www.educacross.com.br.

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